segunda-feira, 27 de junho de 2016

A estrutura de gastos para aplicação nos negócios

Administrar os gastos de uma empresa é prática fundamental para o controle financeiro dos negócios, saber quanto e como estão distribuídos os valores possibilitará fazer análises financeiras, cálculos do ponto de equilíbrio (break even point), margem de contribuição, projeções, precificação de novos produtos, entre outros.

O objetivo do gestor financeiro é maximizar o lucro da empresa através do controle dos gastos decorrentes das operações realizadas. A administração dos gastos é de responsabilidade do gestor financeiro, mas para as M&PEs que operam com mão de obra enxuta essa responsabilidade às vezes passa a ser do empreendedor, então cabe ao empreendedor saber e entender essa prática para conduzir o controle financeiro da empresa.

O primeiro passo na administração dos gastos é entender a estrutura e os conceitos:

Gasto é a compra de um produto ou serviço. É representado por toda e qualquer aquisição de bem ou serviço que a empresa faça.
  • Custo é todo gasto incorrido na produção de um bem ou na prestação de um serviço. Tudo o que for gasto para poder gerar um produto ou realizar a prestação de um serviço será considerado como custo.
  • Por exemplo, uma transportadora: Salário do motorista, Combustível, Pneus.
  • Despesas são gastos que a empresa incorre buscando obter receita. Geralmente os gastos que não são considerados como custo ou não foram para gerar um produto ou serviços são considerados como despesa.
  • Por exemplo: Aluguel do Escritório, Salário funcionários do escritório, Comissão de vendedores.
  • Perda são gastos com bens e serviços de forma involuntária, foram gerados sem que a empresa desejasse.
  • Por exemplo: Avarias, multas de transito, perda de material.
  • Investimento são gastos que a empresa incorre visando por meio deles a obter benefício.
  • Por exemplo: Terreno, Imóveis, Compra de estoque (compra de estoque é considerada investimento, após ser aplicado no produto passa ser custo).

Os custos são divididos em dois Fixo ou Variável e podem ser Diretos ou Indiretos:

Custo Fixo são aqueles gastos que não variam de acordo com a produtividade ou quantidade produzida.
Por exemplo: O salário do motorista na transportadora é um custo fixo, por que não varia de acordo com o volume de serviço prestado.

Custo Variável já são aqueles gastos que variam de acordo com a produtividade ou quantidade produzida.
Por exemplo: A comissão do motorista na transportadora é um custo variável, por que varia de acordo com o volume de serviço prestado.   

A classificação de fixo/variável também se aplica as despesas podendo ser despesas fixas ou despesas variáveis.
Por exemplo: Salários dos funcionários de vendas são despesas fixas, porém a comissão dos funcionários de vendas são despesas variáveis.


Custo Direto são gastos que podem ser diretamente apropriados, bastando apenas que seja quantificado o consumo.
Por exemplo: para produzir um produto teve um gasto com uma embalagem, neste caso, o custo da embalagem é direto por que é possível apropriar a produção do produto.

Custo Indireto são gastos que não oferecem uma medida direta ou objetiva e a sua alocação é feita de forma estimada ou por rateio.
Por exemplo: o custo do salário do chefe de produção não é possível atribuir a qual produto será alocado, neste caso, considera-se um custo indireto e a alocação deste tipo de custo ao produto é feita por estimativa ou rateio.

Depois de entender a estrutura dos gastos o próximo passo é contas contábeis, grupos e plano de contas.

“As contas contábeis constituem-se representações escrituradas de bens, direitos, obrigações, capital, reservas, etc. de uma entidade. A montagem de um Plano de Contas deve ser personalizada, por empresa, já que os usuários de informações podem necessitar detalhamentos específicos, que um modelo de Plano de Contas geral pode não compreender” (Portal da Contabilidade).

Para as pequenas empresas com estrutura enxuta não há necessidade de criar um plano de contas detalhado e com informações desnecessárias, o ideal é deixar o plano de contas estruturado com base nas separações dos gastos e fácil de ser interpretada pelo gestor dos negócios para as tomadas de decisões.

Além das contas contábeis criar os grupos de contas com base nos conceitos básicos de contabilidade e no balanço patrimonial também auxiliará nas análises financeira, mas como estamos tratando das micro e pequenas empresas e no que diz a Lei 9317/96 ficando dispensada a elaboração do balanço patrimonial a estrutura pode ser de forma personalizada sem a necessidade de denominações detalhadas.

Plano de Contas

O plano de contas também pode ser conhecido como plano orçamentário, elenco de contas ou modelo de contas, é uma a lista de contas que apresenta os registros das operações ou movimentações financeiras da empresa.
Para criar um plano de contas é importante primeiro diagnosticar cada conta criada para fazer as classificações dos gastos de forma correta.
O diagnostico de conta é simplesmente um processo de perguntas e respostas para cada conta criada e a classificação da estrutura de gastos vai depender de cada empresa, ou seja, as classificações variam de acordo com cada tipo de negócio e gestão da empresa.

Por exemplo, vamos imaginar uma transportadora que faz o transporte rodoviário de cargas e que tem combustível gasto com veículos da frota (Caminhão que presta o serviço) e combustível gasto com veículos da administração (Veículos utilizados pelos funcionários).

Neste caso, será necessário criar duas contas contábeis fazendo o diagnostico e classificando;

Conta: Combustível Frota
Este tipo de gasto é para gerar o serviço? Sim! Então definimos como CUSTO.
Este tipo de gasto varia de acordo com o aumento ou diminuição dos serviços prestadores? Sim! Então definimos como VARIÁVEL.
Este tipo de gasto é possível identificar a quantidade gasta por serviço prestado? Sim! Então definimos como DIRETO.

Sendo assim, os gastos com Combustível da Frota são classificados como Custo, Variável e Direto, por que é um gasto que faz parte do serviço prestado, esse tipo de gasto varia de acordo com o volume de serviço prestado e é utilizado de forma direta na prestação do serviço.

Conta: Combustível Adm
Este tipo de gasto é para gerar o serviço? Não! Então definimos como DESPESA.
Este tipo de gasto varia de acordo com o aumento ou diminuição dos serviços prestadores? Não! Então definimos como FIXO.
Este tipo de gasto é possível identificar a quantidade gasta por serviço prestado? Não! Então definimos como INDIRETO.

Sendo assim, os gastos com Combustível da Administração são classificados como Despesa, Fixo, Indireto, por que não é um gasto que faz parte da prestação do serviço, é fixo por que não sofre alteração com relação ao aumento ou diminuição do volume de serviço prestado e indireto por que não é possível identificar qual serviço prestado gerou esta despesa.

Para cada conta contábil será necessário fazer o diagnostico e a classificação para que se obtenha um plano de contas estruturado e completo.

Veja abaixo um modelo simples de plano de contas elaborado em Excel para aplicação em planilhas empresariais e controle financeiro;
 

Entendendo a estrutura dos gastos e um plano de contas o próximo passo agora é implantar no negócio, mas para isso será necessário um software ou um gerenciamento simples em Excel.
No mercado de softwares alguns sistemas já oferecem a estrutura de administração de gastos incorporada ao controle financeiro e as operações da empresa e também é possível encontrar planilhas prontas. Não recomendo adquirir um software sem antes verificar a viabilidade no seu negócio, também não recomendo comprar planilhas prontas, o ideal é criar uma de acordo com o porte e a necessidade da sua empresa.

Antes de tomar qualquer decisão consulte seu consultor!

Referências

Nogueira, Daniel Ramos, Contabilidade de custos: ciências contábeis, São Paulo, Pearson Education do Brasil, 2009.

Instrumento de Apoio Gerencial (SEBRAE):




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